Continuação… – Tradução ODTS

Um

Debrucei-me contra uma pedra áspera e expirei. A luz manchada do sol se deslocou sobre meu tênis enquanto o vento fez meu cabelo fazer cócegas em minha nuca.  O som das crianças nadando em um lago próximo era alto, mas os gritos alegres só apertaram mais o nó em meu estômago. Deixe Barnabas tentar transformar quatro meses de tentativas fracassadas em meros vinte minutos.

– Sem pressão – murmurei olhando através do caminho sujo para o reaper que estava encostado em um pinheiro com seus olhos fechados. Barnabas provavelmente era mais velho que o fogo, mas ele ficava bem com seus jeans, camiseta preta e corpo esguio. Eu não conseguia ver suas asas, com as quais voávamos, mas elas estavam lá. Ele era um anjo da morte com cabelos enrolados e olhos castanhos, usando tênis legais.

Isso faz com que sejam tênis sagrados? Perguntei-me, enquanto nervosamente rolava uma pinha para frente e para trás com meus pés.

Sentindo que eu olhava para ele, Barnabas abriu os olhos.

– Você tá ao menos tentando, Madison?, perguntou.

– Duh. Tô. – eu reclamei mesmo sabendo que era uma causa perdida. Meu olhar caiu para meus sapatos. Eram amarelos com cadarços roxos e caveiras na parte de cima e combinavam com as pontas roxas do meu cabelo curto loiro, não que alguém já tivesse comentado isso.

– Tá muito quente pra me concentrar – protestei.

As sobrancelhas dele se ergueram enquanto ele olhava para meu short e minha camiseta regata. Na verdade eu não estava com calor, mas meus nervos me deixaram agitada. Eu não sabia que ia para um acampamento de verão quando escorreguei para fora de casa nessa manhã e pedalei até a escola para encontrar Barnabas. Mas apesar de toda minha reclamação, foi bom sair de Three Rivers. A vila universitária onde meu pai vivia era legal, mas ser a garota nova enchia o saco.

Barnabas franziu para mim.

– A temperatura não tem nada a ver com isso. – ele disse, e eu rolei a pinha debaixo do meu pé ainda mais rapidamente. – Sinta em sua aura. Eu tô bem na sua frente. Tente de novo, ou eu vou te levar para casa.

Eu chutei a pinha para longe e suspirei. Se nós fôssemos para casa, quem quer que nós tínhamos de salvar iria morrer.

– Tô tentando. – Eu me inclinei contra a rocha atrás de mim, segurando a pedra negra que estava pendurada em uma corrente de prata em volta de meu pescoço. Barnabas impacientemente limpou a garganta e eu fechei meus olhos tentando imaginar uma névoa me envolvendo.

Nós estávamos tentando nos comunicar silenciosamente com nossos pensamentos. Se eu conseguisse colocar os meus pensamentos na mesma cor da névoa de Barnabas, eles iriam escorregar para sua aura e ele os escutaria. Não era uma coisa fácil de se fazer quando eu não conseguia sequer ver a aura dele! Quatro meses dessa bizarra relação professor/aluna e eu não tinha conseguido nem chegar ao nível básico.

Barnabas era um Reaper da Luz. Reapers da Escuridão matavam as pessoas quando seu provável futuro indicava que elas estavam indo em direção contrária aos grandes esquemas do destino. Reapers da Luz tentavam impedi-los, para assegurar o direito de escolha da humanidade. Como fora designado para evitar minha morte, Barnabas devia me considerar um de seus maiores e espetaculares erros.

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